Ele estava imundo,preto de poeira e sujeira,barba grande,bigode,cabelo sujo e emaranhado,as roupas pretas,calça rasgada com alguns patches colados
em seus respectivos buracos,uma bandana,uma mochila,uma garrafa de pepsi vazia e toda amassada pra colocar água e só.
O rosto dele era lindo,tranquilo,satisfeito.
Na hora me veio o Christopher Johnson McCandless aka Alexander Supertramp na cabeça.Ele entrou no trem,eu perguntei pra onde ele queria ir,pra ver se eu podia ajudar,ele
disse que veio da California (não me lembro exatamente,mas era longe) e que ia encontrar uns amigos em Manhattan.
Fiquei encantada com a verdade que aquele menino tinha.E me lembrei de tempos remotos,quando eu acreditava que tudo era possível,
que eu poderia viver sem deus,sem pátria,sem patrão,sem dinheiro e sem governo.Acreditava em ideais e movimentos.
Não precisava do luxo,nem de roupas novas,nem de nada e abominava o sistema.
Era jovem e vivia into the wild.Apesar dos momentos horríveis de perrengue,da solidão,mesmo sempre com um bando,ali
pude perceber o que realmente importa,o que nos faz ser quem somos e pra que essa merda toda.A resposta é simples,inventamos tudo isso,toda essa dor,agonia e martírio que é viver.
Quando vivemos de verdade,vivemos sem pudor e sem a quem culpar.Fazemos o que somos e ponto final.
Ainda tenho esse conflito dentro de mim,de buscar,de viajar e ver...viver.Mas hoje,a idade e as necessidades me fizeram medrosa,sucumbi.Compro,visto,quero mais e a toda hora.Sei o que realmente importa,mas vou sempre tapando buracos,aqui e ali.
You think you can change the world,but the world changes you.

E sigo lendo o CMI.
"In wildness is the preservation of the world." - Henry David Thoreau
Um comentário:
Ah somos tão prisioneiros de um mundo cruel neh. Viver aqui tem dias que é triste, chato, desumano.
e as amarras, o que fazer com elas?
beijos
Fabi
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