4.12.2007

Jovens!

Jovens

Os jovens têm fortes paixões e costumam satisfaze-las de maneira indiscriminada.
Dos desejos corporais, o sexual é o que mais os arrebata e no que evidenciam a falta de autocontrole.
São mutáveis e volúveis em seus desejos que, enquanto duram, são violentos, mas que passam rapidamente.
Em seu mau-humor, com freqüência, expõem o melhor do que possuem, pois seu alto preço pela honra faz com que não suportem ser menosprezados e que se indignem, se imaginam que os trata injustamente.
Mas, se bem ama a honra, amam mais ainda a vitória; pois os jovens anseiam ser superiores aos demais, e a vitória é uma das formas de superioridade.
Sua vida não transcorre recordação, mas sim na expectativa; já que a expectativa aponta ao futuro e a recordação ao passado, e os jovens têm um grande futuro à sua frente e um breve passado por trás.
Seu arrebatamento e sua predisposição à esperança os tornam mais corajosos que os homens de mais idade; o arrebatamento coloca os temores de lado e a esperança cria a confiança.
Não podemos sentir temor se ao mesmo tempo sentimos cólera, e toda a expectativa de que algo bom virá nos torna confiantes.
Tem idéias exaltadas, pois a vida ainda não os humilhou, nem lhes ensinou suas necessárias limitações; ademais, sua predisposição à esperança os faz sentirem-se equiparados às coisas magnas, e isto implica em ter idéias exaltadas.
Preferirão sempre participar em ações nobres a ações úteis, já que sua vida está governada mais pelo sentido moral do que pela razão.
E enquanto a razão nos leva a escolher o útil, a bondade moral nos leva a escolher o nobre.
Amam a seus amigos, conhecidos e companheiros, mais que os adultos, porque gostam de passar seu dia em companhia dos outros.
Todos seus erros apontam na mesma direção: cometem excessos e atuam com veemência.
Amam demasiado e odeiam demasiado, e assim são com tudo.
Crêem que sabem de tudo e sentem-se muito seguros com isto; este é, em verdade, o motivo de que tudo façam em excesso.
Se causam danos aos outros, é porque querem rebaixá-los e não causar-lhes dano real.
Adoram a diversão e, por conseguinte, o gracioso engenho que é a insolência bem educada.

(Aristóteles, Retórica, séc.IV a.C. )

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